O calor é lancinante no deserto e cada passo custa uma importante parcela da energia que me resta no corpo. A maioria dos não kreen, já teria perecido sob essas circunstâncias, mas o dra que me acompanha mostra uma resiliência fenomenal. Ele é um companheiro valoroso, o que me deixa satisfeito pelo fato de ter sobrevivido à caçada que dizimou sua tribo.
Assim como o calor, as tempestades de areia são constantes neste mundo, mas a que nos atingiu em cheio hoje foi extremamente poderosa. As forças naturais são avassaladoras e devem ser respeitadas como tal. Graças à experiência e o respeito que já nos é inerente a tais forças, conseguimos sobreviver a mais essa dificuldade.
O mesmo não se pode dizer daqueles que compunham a caravana que encontramos logo após. Completamente destruída, o que acabou por nos dar uma fonte de alimento e de (pouca) água, garantindo mais algum tempo de sobrevivência.
Um dra humano foi o único sobrevivente, o que é justificável por seus grandes poderes. Outros dois também se juntaram a nós para coletar o que sobrou: um pequeno, mas somente em tamanho, e outro que possui claros poderes arcanos, que despertaram a desconfiança de meu companheiro elfo. Não concordo com essa imagem e acho que toda a forma de poder é válida, desde que resulte em melhores condições para a sobrevivência de um grupo. É exatamente o caso, e os três se uniram conosco, após o ataque das pequenas criaturas do deserto, repelido graças à habilidade de todos em conjunto.
O humano sugeriu que rumássemos para uma cidade, mas não entendi exatamente a razão, que é irrelevante. Sei que sozinho dificilmente sobreviveria e não pretendo abandonar meu grupo, embora perceba que meu valor é pequeno perto do grande poder que demonstram os dra.
Na última noite sofremos um novo ataque, mas, por sorte, eu estava de guarda no momento exato. O valor de um kreen ficou mais claro, já que todos os dra precisavam repousar, o que eles chamam de “sono”.
Um ser aterrorizante, acompanhado de outros dras, de alguma forma conseguiu iludir o meio-elfo, com um poder que o fez ir a seu encontro, sem qualquer resistência. Utilizei minhas habilidades psiônicas de velocidade, para chegar a tempo de impedir que o pior acontecesse, mas até agora não tenho certeza de que foi a minha presença que garantia a sua vida. Algo de muito ruim parece ter sido percebido pelo ser que o atacou, mas não tenho idéia do que seja. De toda forma, o meio-elfo demonstra grande poder, e sua vida deve ser preservada em prol do grupo.Assim, continuamos o caminho, os cinco de nós conscientes do perigo e também do fato de que cada dia de sobrevivência deve ser valorizado.