Após chegarmos e descobrirmos uma nova porta já no Underdark, o grupo decidiu que seria melhor parar e descansar. As magias estavam escassas, os dedos gastos, os ferimentos abertos. Glarundaar abençoou-nos, curando a todos e usando uma magia que nos deixaria dormir tranqüilos.
Ao acordar e aprontar o grupo, uma cena curiosa. Rytohis e Trevor não se uniram ao grupo. Ficaram dormindo juntos enquanto nós nos encaminhávamos para a difícil missão que viria a seguir. Com a defasagem de pessoal, mudamos a tática de entrada um pouco. Atrás de uma barreira anã impenetrável (bem.. talvez a Mercyon não seja tão impenetrável assim), eu estaria com meu arco pronto, bem como Abu estaria com sua besta na mão.
Abrindo a porta, fomos surpreendidos por magias que intoxicaram nosso pulmão, deteriorando nossa capacidade física. Mas claro que apenas isso não seria suficiente para nos parar. Saindo da nuvem verde, vimos um Mezoloth e um acólito. Logo se juntaram a eles mais um homem de armadura, que possuía várias imagens de si mesmo ao seu redor com outro acólito. Quando eu já vibrava com o calor da batalha que viria, escolhendo os próximos alvos a serem perfurados por minhas flechas, sinto uma náusea, meus olhos se escurecem e eu quase perco a visão. Olhando a frente, vejo o pânico no rosto daqueles que tentam me destruir, mas falham tentando. Ele tentou me cegar, então cego será morto. Por puro sadismo, cravei a primeira flecha no olho dele. E deixou-o saber que a segunda teria como destino seu par. O outro acólito quase não deu trabalho para matar e o Mezoloth morreu com 3 flechas cravadas na garganta. Uma seguida da outra. Apesar de eu saber que o terceiro tiro já era inútil. Ele já estava bem morto.
Pelo pedido da Mercyon deixamos o Knight que os guiava vivo. Interrogamos o homem, que não produziu nenhum som. A tentativa de conversar foi em vão, as ameaças também. De nada mais valia aquele ser vil e de coração impuro, maldoso, aliado dos drows. Era hora da justiça da guerra ser feita. No entanto, os anões acharam por bem mantê-lo vivo. A discussão foi grande, não entendo essa justiça dos pequenos barbudos, que acham mais honrado e correto deixar um ser pelado, desarmado e desacordado no chão de uma caverna do que a morte pelos seus ideais. ELE PERDEU SUA BATALHA!! DEVE MORRER POR ELA!!!
A esta hora, Trevor e Rytohis já tinham chegado da noite prolongada com sorrisos abertos. Eu, estava tão revoltado com a situação que debandei-me do grupo, investiguei outras salas nas quais, dados meus conhecimentos de guerra, tinha certeza que não haveria ninguém. Pelo menos o maldito rendeu-me uma armadura nova. Aquela minha estava velha, gasta e raramente parava algum ataque quando eu não era capaz de desviar.
Investigando a caverna mais a fundo, nos deparamos com uma bela fonte de água. SIM! Água pura aqui embaixo. Dei uma bela lavada na cara, tomei alguns goles e continuamos. Achamos alguns cozinheiros, que pouco ou nada sabiam. Eu era a favor de matar os de mau coração e liberar o outro, Trevor queria puni-los, também. Os anões não quiseram e dessa vez, não comprei briga. Seres teimosos. Deixei que o rapaz de cabelos prateados discutisse com eles. Se bem me lembro, liberaram a estes também.
Fomos então a última porta que faltava, uma sala grande, parecida com um altar. Assim que entrei, senti náuseas, talvez o café da manhã não tivesse me feito bem. E provavelmente foi isso mesmo, pois segundos depois eu corria desesperado na direção em que tínhamos vindo, buscando desesperadamente sair dali. No caminho, o paladino prateado disse-me palavras de sabedoria e, talvez por alguma força divina (se é que esses caras realmente existem), meu desespero se esvaiu. Voltei ao combate não mais preocupado com os efeitos do desjejum sobre meu corpo porém, ouvia uma voz que vinha do escuro, à frente, onde estavam os inimigos que eu não via, me mandando parar tudo e deitar. Simplesmente deitar. Isso não fazia sentido e eu lutava contra o meu corpo que obedecia a essa ordem maligna. Pelo que pareceram eras, eu vi meus amigos lutando ao meu lado enquanto eu nada podia fazer senão ficar ali, forçando minha mente contra essa força invisível que me mantinha imóvel.
Mas eu sei o que me deu forças pra continuar e vencer. Um grande leão celestial, forte, vibrante, chegou com um rugido através de uma magia conjurada por nosso mago. A simples visão desse animal em seu esplendor fez com que eu sobrepujasse aquilo que me aprisionava. Quando levantei, diversas imagens dos inimigos apareciam em volta deles. E fiz questão de removê-las com minhas flechas, facilitando assim a batalha para meus companheiros. Foi então que vi uma das mais belas cenas de combate já presenciadas pelo homem. Glarundar entoava seu cântico enquanto expulsava aqueles que já não estão vivos, mas andam, do local onde estávamos e Abu, seguindo o ritmo e a inspiração que vinham da voz forte e rouca do anão, fez inúmeros cortes no demônio que tolamente se opunha a nós, de maneira que nem mesmo eu, consegui acompanhar tal velocidade de ataque. A maestria de seu ataque foi tamanha que vários pedaços de órgãos do demônio estavam no chão. Eu poderia conversar com ele sobre essa sequência incrível, mas ele apenas riria de mim, diria que meus papos de guerra são tolos e só servem pra fazer as pessoas dormirem. Triste, tanto potencial desperdiçado.
De onde estávamos fomos para uma porta lateral, que parecia dar em um quarto de mulher. Muito arrumado e bonito, mas com coisas completamente inúteis. Quer dizer… O Abu encontrou um pergaminho que pode nos ajudar na obtenção de mais informações sobre nossa missão. Mas apenas isso. Voltamos à sala onde o combate com o Mezoloth aconteceu, para passar adiante e encaminhar-nos até a porta secreta encontrada pelo nosso amigo. A vontade de pisar no rosto do desacordado Cavaleiro das Trevas e pôr um fim em sua vida era enorme, mas contive-me.
Após muitas escadas subir, uma sala com diversas estátuas estava a nossa frente. Atirei em uma delas, por precaução, mas nenhuma informação obtive daí. Parecia seguro. Em uma das portas, deparávamos novamente com aquilo que chamamos de Grinding Gulf. Na outra, dois homens e uma mulher – esta envolta em sombras – esperavam por nós. Novo combate começa, e os malditos ficaram invisíveis. Trevor em sua ânsia para acabar com o mal toma atitude que seria cômica, senão fosse trágica. No ímpeto de aproveitar a linha reta que o separava da malévola mulher, pulou por sobre a mesa, buscando uma maior impulso e chamando por seu deus. No entanto, seus pés tropeçaram e ele caiu de frente pra ela, estatelado, no chão, de bunda pra cima. Eu riria, se a situação fosse outra. Mas sei que num combate com pessoas invisíveis, elas irão se aproveitar desta situação. Então agucei meus sentidos ao máximo e quando Mercyon acabou com a invisibilidade no lugar, cravei 3 flechas naquele que tinha pronto, um golpe fatal sobre meu amigo paladino. A mulher sumiu, mergulhou nas sombras que a rodeavam e nunca mais voltou enquanto Abu tranquilamente dava cabo do outro rapaz.
Fomos então para a última porta da sala com estátuas. Nela, um ser redondo com vários tentáculos com olhos na ponta e um olho central, flutuava. Além disso, seu corpo era de uma carne pútrida, decomposta. Enquanto o grupo se preparava, cravei 6 flechas no bicho. Nenhuma acertou. E aí tudo ficou claro. Não existe ser vivo ou não-vivo neste mundo e em qualquer outro que desvie de 6 flechas certeiras de Dorovan Goodrock. Avisei a todos que a aberração que ali estava era uma ilusão. Alguns desconfiaram, outros acreditaram. Mas como todos constataram logo em seguida, era não só uma ilusão como o caminho para uma armadilha quase mortal. Trevor escolheu mal seus passos na sala e acabou caindo nesta safadeza maligna. Com muito esforço e duas cordas conseguimos tirá-lo muito machucado de um buraco profundo e escuro. Nosso caminho aqui ainda é bem definido e tenho certeza que estamos prontos para vencer qualquer coisa que estiver além dessa porta…

Marco disse,
14 de maio de 2010 às 15:24
Show de bola este resuminho. Tem uma boa carga pessoal, de como o Dorovan vê o mundo, e boas pitadas de comédia. Vai levar um considerável bônus de XP.
CoLd. disse,
14 de maio de 2010 às 21:27
Oba! aIUehuaoei
Bem.. pelo menos alguém leu. =)
Eu me esforcei pacas pra fazer essa parada.. e achei bem legal. Não forcei nenhuma piadinha, simplesmente escrevi o que vinha à mente.
Michel disse,
18 de maio de 2010 às 7:20
Mais pessoas leram.
Parabens.
Will disse,
19 de maio de 2010 às 13:57
Também li o/, só não consegui pensar em um comentário legal para deixar
Gustavo disse,
31 de maio de 2010 às 17:42
Tem comentário mais broxante que esse último do Will?